| Heterossexuais são bem-vindos em igrejas e sinagogas LGBT |
|
|
|
| Escrito por USA Today |
| Qui, 30 de Julho de 2009 16:26 |
|
Washington (EUA) – Quando o marido de Andi Kasarsky faleceu há seis anos, vários membros da sinagoga vieram por dias a fio participar do ritual de luto. Muitos deles eram gays. A viúva de 54 anos ficou tão tocada pelo apoio recebido que se tornou uma freqüentadora mais assídua da congregação Bet Mishpachah, que reúne cerca de 200 gays e lésbicas. “Mishpachah significa ‘família’ e eles foram uma família de verdade para mim”, disse Kasarsky, acrescentando: “Não é exatamente isso que procuramos e esperamos de uma comunidade religiosa?” Enquanto gays e lésbicas com inclinação religiosa lutam por aceitação em igrejas, templos e sinagogas de predominância heterossexual, a idéia de heterossexuais freqüentando locais LGBT de culto pode parecer estranha, mas acontece mais do que se imagina. Denver Schimming, de 51 anos e sua esposa Sheila Hobson, de 48, estavam à procura de uma igreja liberal em Nashville – “a fivela do cinto bíblico”, na palavras dele – e descobriram algo de diferente na ICM da Santíssima Trindade, onde 90% dos 350 integrantes são LGBT. “Eu brinco e digo que somos o único casal heterossexual, mas não se engane: eles nos tratam de forma muito especial, são muito amorosos e generosos”. Certa vez, o Reverendo Martin Luther King Jr. afirmou que as 11h da manhã de domingo (hora típica dos principais serviços religiosos) eram o momento de maior segregação na América, quando as igrejas eram divididas por raça. A orientação sexual pode ter o mesmo efeito: hoje elas se dividem entre LGBT e heterossexuais. Comunidades alternativas, como a ICM da Santíssima Trindade e a Bet Mishpachah, são oriundas do movimento pela igualdade, há mais de 40 anos. A palavra-chave dessas congregações é “inclusão”. A rabina Toby Manewith, de 43 anos, heterossexual, recentemente se instalou na Bet Mishpachah. Ela afirma que as portas e os braços da comunidade estão abertos a qualquer pessoa, independente de identidade de gênero, sexualidade ou afiliação religiosa. “Seria de se esperar que isso acontecesse em todas as comunidades religiosas, mas a verdade é que não é fácil de se colocar essa idéia em prática”, disse a rabina.
Alguns heterossexuais freqüentam as comunidades inclusivas por um sentimento de justiça social e solidariedade. Outros chegaram por acidente ou foram convidados por amigos ou parentes gays e lésbicas, se sentiram em casa e decidiram ficar. Enquanto algumas congregações – como as que pertencem à Comunidade das Igrejas Metropolitanas. Com mais de 43 mil integrantes – se formaram especificamente para incluir pessoas LGBT, outras adquiriram uma tendência mais orgânica na medida em que a comunidade à sua volta mudou. Foi o que aconteceu com a Igreja Episcopal de St. Thomas, no coração do Dupont Circle, região gay de Washington. Kristin Jones, de 56 anos, chegou à St. Thomas há cerca de 25 anos, quando a comunidade estava “cheia de senhoras e jovens gays”. Ela veio porque gostava de cantar no coro e ficou, apesar de mulheres – especialmente mulheres heterossexuais – ainda serem uma minoria. A igreja acompanhou a vida de Kristin quando ela foi mãe solteira; 60 integrantes lhe deram um chá de bebê quando ela adotou a primeira de suas filhas, da China. Com o tempo “eu comecei a pensar na St. Thomas como minha tribo”, diz ela. Mesmo com todo o apoio e carinho, ser a ovelha heterossexual no rebanho gay pode gerar algumas questões. Ivan Zimmerman, de 51 anos, se lembra de ter sido confundido nos seus primeiros dias na Congregação Beth Simchat Torah, em Nova York, uma sinagoga com freqüência predominantemente gay entre seus 700 integrantes. “Eu brincava, dizendo que consegui aceitar a minha heterossexualidade”, diz ele. O status de grupo minoritário dos membros heterossexuais lhes oferece um gostinho do que as pessoas LGBT enfrentam todos os dias – e pode ser atraente, segundo alguns. Avrum Weiss e sua esposa eram o único casal heterosexual quando passaram a integrar a sinagoga Bet Haverim, em Atlanta; hoje, metade dos 200 integrantes são heterossexuais. Ele disse que “o Judaísmo tem raízes em uma longa história de opressão em sofrimento. Quando você está numa sala com pessoas que estão vivendo sob opressão nesse momento, é uma experiência dramaticamente diferente”. Os fundadores da Igreja da Comunidade Metropolitana em Los Angeles também testemunharam um salto no número de fiéis heterossexuais que passaram a freqüentá-la. Na Catedral da Esperança, um mega templo para 4000 pessoas em Dallas, esse número também cresceu, embora ainda seja menos de 5% da freqüência total. As congregações LGBT crescem em número e vitalidade, mas alguns se preocupam com o influxo de heterossexuais, que poderia mudar o caráter de comunidades formadas para pregar para minorias. A Reverenda Nancy Wilson, moderadora da Igreja da Comunidade Metropolitana, diz que as suas igrejas não irão à falência, mas a vida pode ficar um pouco mais complicada: “A questão de quem se conecta e se relaciona com este ministério é bem mais complicada do que era no início dos anos 70, quando a maioria era de gays – e eram gays brancos. Porém, uma comunidade religiosa é mais do que rótulos”. Fonte: Tiffany Stanley, do Serviço de Notícias Religiosas do USA Today, 23/07/2009. |
| Última atualização em Qui, 30 de Julho de 2009 16:36 |